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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Conversas de um velho safado



Sempre no meu coração

Talvez um dos maiores mistérios da humanidade jamais seja desvendado: as razões que determinam a paixão clubística. Refiro-me, claro, ao rude esporte bretão. O que faz com que, em não poucos casos, o sujeito desafie a lógica familiar e torça por um clube diferente daquele preferido pela maioria do seu clã? Quando era meninote, por exemplo, o Glorioso Esquadrão Alvi-Rubro dos Pampas era o time do coração dos Silvas, à exceção da mana Rosa que deixou-se encantar pelo tradicional adversário, o Tricolor da Azenha (para quem não é afeito às coisas do mundo da bola, o primeiro é o Internacional e o segundo o Grêmio Porto Alegrense). Não tenho a mínima idéia do que motivou nossas escolhas – quando dei por mim já era colorado; o mesmo aconteceu com ela.
Como toda paixão intensa, o futebol é fonte de grandes alegrias. Poucas coisas dão tanta satisfação ao aficionado como comemorar um título de campeão (pessoalmente, desconheço orgasmo que se iguale ao prazer que o Inter me proporcionou quando conquistou o Campeonato Mundial de Interclubes em cima do Barcelona).
Por outro lado, no tempo de derrotas há muito choro, ranger de dentes e imprecações. Mas esta é uma paixão que resiste às perturbações mais comuns do esporte: técnico burro, jogadores pernas de pau, cartolas incompetentes, goleadas humilhantes (como os recentes 4 X 0 que o Glorioso levou do Rubro-Negro carioca).
Mas no dia seguinte o sujeito está lá, renovando seus votos de amor eterno. O torcedor de futebol é, sobretudo, um otimista: “agora vai”.
Alguém já disse que, dentre todos os amores possíveis, aquele ao qual o homem se mantém fiel por toda a vida é o amor por seu time de futebol (amor de mãe é hours concours).
Lembro de um Gre-Nal em que o Inter perdeu por 4 X 0, resultado conseguido com a ajuda dos feitiços da mana Rosa Maria, que a cada ataque do Grêmio dava nó em um pedaço de cordão – “estou amarrando a defesa do Inter”. Pois bem, aos 45 minutos do segundo tempo, placar consolidado, eu ainda alimentava a esperança do empate – afinal, futebol são 11 contra 11. Não deu, evidentemente, mas eu acreditei que seria possível.
O futebol é assim, tem o poder de nos fazer crer no improvável. E às vezes ele acontece e, contra todos os prognósticos, Davi vence Golias. Então, é a glória. Aí reside a magia e o encanto do futebol, que, se depender da força das minhas orações e mandingas vai se repetir no dia 1° de julho, quando o Inter, que perdeu o primeiro jogo por 2 X 0, vai encaçapar três buchas no Corinthians e sagrar-se campeão da Copa do Brasil. Que assim seja.
Se não for, a gente faz uma revolução.

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