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Férias!



Férias – quem não gosta? Eu adoro, mas sei de gente que definitivamente, se não gosta, não está nem aí pro seu Procópio, acredite se quiser. Conheço um mocinho que é viciado em trabalho e que só fica feliz (segundo palavras do próprio) quando está em seu local de trabalho, dando um duro danado. Como ele é o chefe ele pode se dar ao luxo (hã?) de trabalhar 365 dias por ano. A saúde do rapaz? Decadente, lógico: ainda outro dia ele foi bater no PS por conta de um estresse brabo que se alojou em seu tão batalhador coração e que quase o leva dessa para uma melhor (quem me garante isso?). Mas eu também conheço pelo menos um que nasceu para viver em férias: está lá, em Parintins, em suas férias eternas. Faz quem pode, né?
De minha parte eu não vejo a hora de chegar o dia 30 de junho para pegar um vôo direto para qualquer lugar onde eu não tenha que sequer olhar para um computador e dar folga para minha coluna, meus braços, pernas, cabeça e dedos. Dane-se o medo de andar de avião, eu quero mesmo é rosetar!
Rotina é, na minha humilde opinião, algo inventado por Deus para que não deixemos nossa vida perder o prumo, mas viver uma rotina durante um ano inteiro não dá, vamos combinar. Até o nosso querido, amado, salve, salve, presidente tira seus diazinhos de folga, por que eu não vou tirar?
E quando eu falo férias, são férias de tudo: do trabalho, do telefone, da TV, da falta de tempo até para pensar na rotina do dia seguinte. Só não dá para tirar férias da família, dos amigos, de rir, de pular n’água (segundo minha mãe, eu devia ter nascido uma piaba), de se esticar ao sol, de viver! São minhas paixões na vida e preciso, neste ano em especial, de uma folga maiorzinha, pois apesar de não ter tempo para mais nada na vida, eu consegui arrumar um tempo para pensar besteira além do o usual, é fato. Uma amiga me receitou: tire férias da vida. É louca: se eu tiro férias da vida, faço o quê? Morro? Nem morta!
O trabalho é, sim, edificante, mas exige tanto envolvimento quanto comprometimento. Alguém aí conhece a diferença entre um e outro? É só pensar no papel da galinha e do boi na nossa alimentação: a galinha se envolve, ela bota o ovo e depois sai tranquilamente cacarejando. Já o boi, não. O boi precisa dar sua carne, seu sangue, até a medula para que a gente fique bem alimentado. Pois é: eu descobri que sou galinha: boto meus ovos bonitinha, todo santo dia, mas depois quero sair cacarejando o mais alto possível em, no mínimo, 30 dias de férias! Eu preciso disso para manter meu foco na vida e, em consequência, no meu trabalho. Teve um ano desses aí que pra me tirar da frente do PC tiveram que me arrastar, eu trabalhei até 5 minutos do máximo que poderia ser esperado para chegar ao aeroporto. Coisa de doido, mas já recebi alta do hospício e esse ano já estou de malas prontíssimas, o Brasil que me espere, porque eu estou chegando!
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Shi's a Lady

Saudade, saudade... saudade!
Os momentos de saudade são aqueles, quando retomamos na memória algo que já não temos mais, coisas que vivemos no passado, alguém que não mais está presente. Enfim, o passado nos traz saudades.
É claro que não podemos, ou melhor, não devemos ficar presos ao passado, ao que era ontem. Ontem é ontem, passou. O tempo passa e a gente de repente se vê preso neste emaranhado confuso de sentires, pensares e achares e de repente a prisão também está neste momento, precisamente agora. Basta surgir algo inusitado, que não estava previsto e que talvez seja apenas mais um reflexo do que um dia foi desejado e que (o tempo, melhor dos remédios pra qualquer mal) passou. Mas eu fico pensando na maravilha que seria se conseguíssemos manter, em nosso presente, a magia, o agradável, o belo e o possível de cada momento vivido.
Perguntando ao Aurélio, Houaiss ou Michaelis, todos vão dizer mais ou menos assim, sobre a saudade: “Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia”. Está certo, claro, mas é possível, sim, ampliar esta definição para um sentido mais positivo, porque saudade não tem que ter sempre este tom nostálgico e triste, sinônimo de sofrimento e dor. Também dá para ver (e sentir) saudade como aquela sensaçãozinha gostosa de gratidão, de plenitude, a saudade de algo que um dia nos fez bem e feliz.
Começou a lembrar da infância? Ótimo: lembre-se dos momentos divertidos e das brincadeiras. Lembrou daquela amizade que se perdeu? Bom também: lembre-se das risadas, do tempo perdido falando bobagem, da cumplicidade. E aquele comichãozinho de tristeza ao lembrar do amor que ficou só no sonho? Delícia: lembre-se da sua dedicação, do carinho, da vontade de ver o outro sempre bem. Não dá? Dá, sim.
É nessa hora, quando a saudade bate, que colocamos à prova nossa capacidade de superação. Não dá pra viver ou reviver o passado, mas dá perfeitamente para transformá-lo em uma parte gostosa do presente. Receitinha básica, fruto de experiência própria: quando começar a surgir a saudade, passe a pensar exaustivamente no que está te entristecendo, esgote todas as possibilidades, lembre tudo do começo ao fim. Sofra tudo o que tiver que sofrer por, aproximadamente, 1 hora. É o máximo que você deve se permitir sofrer pelo que passou. O dia tem 24 horas, então perca esse tempo (ocasionalmente) fazendo este exercício meio masoquista, vai ser bom. Passado esse período, volte pro presente. Aposto que isso vai começar a se repetir cada vez menos. E você vai sofrer cada vez menos também – e com hora marcada, como um compromisso, o que sempre dá margem à desobediência, outro exercício bastante gostoso de praticar.
Acho que Deus, quando criou a memória, não pensou que o homem fosse fazer tão mau uso dela. De repente ele quis dar uma oportunidade de a gente ter de volta algo que não temos mais, pelo motivo que for. Mas, segundo fontes fidedignas, não era para ter dor nisso, não. Era para a gente tentar ser feliz, mesmo.
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Shi's a lady

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Não é por nada não, mas mulher é bicho muito esquisito mesmo: depois de anos e mais anos tentando se igualar ao homem em tudo, agora vem com essa conversa de que o romantismo se perdeu sabe Deus onde. Perdido só se for aqui fora, porque ali dentro de cada coraçãozinho masculino sobrevive uma chama que teima em não se extinguir, mesmo estando constantemente à mercê de ventos furacônicos.
Eu realmente não sei o que essa mulherada tem na cabeça: uma hora quer, outra hora não quer. De minha parte, ainda aprecio bastante as atitudes próprias dos já raros românticos com quem convivo: o arcaico abrir e fechar portas, a batidíssima puxada de cadeira (para sentar, não é para me fazer cair de bumbum no chão não, tudo bem?), o anacrônico mandar flores (girassóis e orquídeas, anotem aí), o antiquado beijo na testa (tão carinhoso...), enfim, pequenas coisinhas que, não sei porquê, causam tamanho mal-estar em algumas mulheres. Eu li não sei onde que a mulher de hoje não gosta de homens românticos porque eles fazem com que elas se sintam muito... mulheres!!!! Entendeu? Eu, não.
Até Nelson Rodrigues era um romântico, eu ouvi uma mulher afirmar. Eu não acredito, claro, pelo que conheço do cabra ele era um dos mais irritantes anti-românticos já conhecidos, mesmo quando era mulher (lembram que ele também era Myrna, Suzana Flag, Maria Amélia e Kalipsus Lucy?). Até hoje não sei o porquê de tanta veneração a Mr. Rodrigues, assim como também não entendo muito bem a minha aversão a ele. Vou deixar nas mãos de Freud, ambas as respostas. O mesmo para o Jece Valadão, que dizem ser o cafajeste mais romântico da história brasileira. Deus do céu, eu não sei o que é romantismo!
O que eu sei é que quero um mundo de mulheres sendo bem tratadas, conscientes de sua importância para o homem que as acompanha, que riam muito com eles, que façam viagens incríveis, que façam amor (fundamental: o homem romântico não transa, não trepa, não faz sexo: ele faz amor) e que, principalmente, se sintam bem queridas. Quero um mundo romântico!
Bom, como eu já admiti que não sei do que trata o romantismo, vou parar de enrolar sobre o tema, eu não tenho know-how para tanto. Vou ali assistir "Kate & Leopold", que o Chico reservou pra mim, sabendo que eu vou adorar re-ver.
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Shi's a lady


Neste mundo, nesta vida, minha atividade preferida, não é segredo para ninguém, é sexo. Em cada um dos meus textos eu faço questão de deixar clara esta minha "identificação" com a coisa, sem o mínimo medo de ser feliz. E felicidade, creiam, é o principal produto do sexo – não considerando, claro, os pequenos pacotinhos com pezinhos e mãozinhas fofos que de vez em quando também são "produzidos" através de uma relação sexual.
Em minhas constantes pesquisas na net, encontro de tudo. Achei a Cameron Diaz, atriz de Hollywood, se dizendo viciada em sexo. Segundo a moça, todas as soluções para seus problemas ela encontra quando está no meio de uma transa e é claro que essas declarações fizeram levantar a temperatura do público masculino que é fã de Diaz. Eu só queria entender como ela consegue encontrar tanta solução para tanto problema, se durante um embate sexual não se consegue pensar em outra coisa que não seja sentir, gemer e gozar. Eu, definitivamente, não consigo.
Mas ela está, em parte, com a razão. Não que você tenha que pensar nos seus problemas durante uma transa, mas que depois que tudo acaba as coisas ficam mais claras, sem dúvida elas ficam! Eu também descobri (a net é minha pastora, o Google, meu guru) que o sexo é a melhor forma de se preparar antes de falar em público. Os cientistas britânicos que descobriram essa nova versão da pólvora juram de pés juntos que, quando você precisar subir em um púlpito, leve consigo um parceiro e, assim que começar seu discurso, faça com que ele lhe dê uma bela de uma encalcada (por trás, evidentemente, o discurso estará sendo pronunciado, é bom não esquecer isto), o que fará com que as palavras fluam, livres, leves e soltas pelo ambiente.
Quando li isso pensei em pelo menos uma pessoa de minhas relações que deveria experimentar: muito tímida, ela morre de medo de falar em público. Mas acho que ela deveria, sim, experimentar, e de preferência que me convide para assistir a esta apresentação. Fico morrendo de curiosidade para saber que palavras serão ditas nessa ocasião. Vale ressaltar que apenas a cópula penetrativa produz bons resultados. Disso eu já sabia e faço coro.
Eu sei que bati agora em um lugar-comum. Todo mundo já sabe, já falou, já discutiu, já refletiu, já concluiu sobre isto, mas quando eu me engajo em uma campanha me torno ferrenha, feroz e frenética! Enfim, sexo é coisa para quem pode e com ph de farmácia, diriam os zombeteiros de plantão. Eu posso, a Cameron Diaz pode, a minha amiga tímida também pode. No final das contas, todo mundo pode.
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Shi's a lady


Perdoa, Pai, porque pecamos

O desprezo e as violações dos direitos humanos, especialmente da liberdade de expressão, de culto ou convicção continuam provocando guerras e grandes sofrimentos à humanidade. É realmente preocupante o crescimento cada vez maior das ameaças contra a liberdade religiosa, inclusive por parte de alguns Estados, que teimam em exercer a intolerância e a discriminação para com a religião. São Estados que pretendem, a qualquer custo, forçar o cidadão a exercer esta ou aquela religião, o que é um absurdo – mas existe!
E existe das mais diversas maneiras: há países que obrigam seus jovens e algumas minorias religiosas a contrair matrimônio com membros de outros grupos majoritários, forçando estes pobres coitados a adotar uma religião outra que não a sua. Ou a adotar uma religião quando não têm nenhuma. Há casos inclusive de ameaças de morte contra uma pessoa e sua família, na tentativa de converter esse indivíduo a uma religião ou, ao contrário, evitar uma conversão.
Afirmo que procurei "por todos os jardins" a verdade inscrita na afirmação de que uma religião, por ser reconhecida como estatal, oficial ou tradicional, ou que seus adeptos representem uma maioria, tem que ser adotada por todos em um gritante desrespeito à livre determinação de culto do restante da população. É outro tipo de guerra: eu imagino a loucura que deve ser nestes órgãos de proteção aos direitos humanos, tão grande (eu suponho) é o número de denúncias que eles devem receber sobre violações dos lugares sagrados de comunidades religiosas. Sem falar dos crentes no mundo que não podem sequer levar seus símbolos religiosos ao trabalho, por causa de disposições administrativas "oficiais".
Não sou muito adepta de qualquer religião que seja, mas esse tipo de situação me causa medo, admito. E estou falando disso aqui, agora, porque estou enfronhada em um interessante trabalho sobre a violência sofrida pela mulher no mundo. As atrocidades mais impensáveis são praticadas contra a mulher, em nome da religião (e de Deus!), em especial, claro, com aquelas que são de religião diferente da "oficial". E nem seus filhos (os que também forem crentes) escapam: eles são freqüentemente vítimas de diversos tipos de discriminação, que vão de maus-tratos e humilhações na escola até expulsão ou a proibição de continuar a faculdade. Nem quero pensar no que acontece com os refugiados, os asilados, os emigrantes que são, para mim, populações extremamente vulneráveis.
Não sei o que está faltando para acabar com essa esculhambação, mas de repente alguns mecanismos judiciais realmente úteis e coercitivos sejam a única saída para proteger aqueles que são vítimas deste tipo de discriminação. Resta saber que jurista se habilita, ou melhor, se atreve a sugerir uma mudança não apenas do ordenamento jurídico específico, mas também no comportamento da sociedade, que ainda discrimina as pessoas apenas porque praticam candomblé, ou porque usam roupas que escondem todas as partes do seu corpo. Respeito à diversidade é bom, faz bem à saúde - e eu gosto.


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Shi's a Lady

Pois sim, então os temas para abril no Palimpnóia seriam Intolerância e Arte. Gelei: o Jens já se posicionou sobre a intolerância com a inevitável maestria e em matéria de arte eu sou simplesmente um zero à esquerda, apesar de ser taurina e ter uma mão razoável pra desenhar, pintar, modelar etc. O chato é que eu sou a prova viva e encarnada de que nessa vida nada se cria, tudo se copia. Mas em minha defesa eu digo: tem coisas que eu jamais copiaria!
Imagine você, juntamente com uma pequena multidão,
disputando uma vaga em frente à seguinte cena: uma mulher grávida deitada numa pose clássica, com um feto à mostra. Ou ainda um homem sobre um cavalo empinado. Tudo estaria muito bem, se a dita mulher não estivesse com o ventre totalmente aberto e o cavaleiro não tivesse tido seu corpo seccionado em várias partes. Porém o mais absurdo de tudo isso é que o idealizador e compositor destas cenas, o anatomista alemão Gunther von Hagens, afirma que tudo aquilo é uma "obra de arte". Se alguém chegasse comigo e me perguntasse o que eu acho eu não hesitaria em dizer que a "exposição" é um trabalho grotesco de quem não tem coisa melhor para fazer na vida. Sem falar que é tudo uma grande falta de respeito por um dos momentos mais importantes da vida do ser humano (com perdão pela contradição): a morte.

Este espetáculo pavoroso tem início no centro de uma espécie de arena, onde o cadáver de um homem repousa sobre uma bancada. O mestre de cerimônias faz uma incisão em Y no tronco do morto, extraindo dali suas vísceras e, com serra, arranca o cérebro do idoso. Inacreditavelmente,as 350 pessoas presentes deliram em aprovação. Von Hagen se inspira no famoso quadro de Rembrandt - aquele que mostra a dissecação de um cadáver – comparando-se "sutilmente" ao grande mestre holandês. O tal do Von Hagen ficou riquíssimo à custa, literalmente, do couro alheio.

Mas o pior se expande, diante de uma situação que eu nunca imaginava: alguém aí tem conhecimento da crise que as universidades brasileiras enfrentam, nos cursos da área de saúde, por causa da falta de cadáveres para as aulas de Anatomia? Pois é, a situação está cada vez mais crítica. Como tudo neste país, a burocracia impera, os questionamentos éticos e religiosos acabam se sobrepondo à necessidade de os estudantes lidarem com o corpo humano ainda na faculdade e não apenas em uma sala de cirurgia, quando dão de cara com um corpo aberto e sangrando.

A medicina já foi, durante muito tempo, reconhecida como uma arte. Artistas como Leonardo Da Vinci (que considerou o homem como o centro do universo), Miguelangelo (que deixou registrado em "A Criação do Homem" seus conhecimentos dos músculos e tendões do antebraço) e Vesálio (dizem que o livro de Anatomia que se encontra aberto aos pés do cadáver dissecado na já mencionada pintura de Rembrandt é de sua autoria). Mas existem erros nesta obra que certamente não existiriam se ela tivesse sido pintada hoje, quando já se conhece minuciosamente o corpo humano. Eu que não sou das artes e nem consigo grandes apreciações sobre arte, já decidi: meu corpo, a partir deste momento, faço questão de doar à Anatomia. Espero, com isso, me tornar na morte o que não fui em vida: uma musa.

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Shi's a lady

Bicudos se beijam em qualquer idade
Lembro com grande nitidez que um dia, há algum tempo atrás, eu estava deitada no chão, assistindo TV, aos pés da máquina de costura de mamãe, quando de repente vi um casal de velhinhos se beijando. Não lembro se era um filme ou uma novela, só sei que eu disse, toda risonha e inocente,: "eita, velho se beija?". Mamãe pulou que nem uma "zeburana" da cadeira e respondeu, a gentileza em forma de gente: "por que tu acha que velho não beija? Velho também é gente, mocinha!" Ela provavelmente me deu algum castigo que, graças aos céus, agora não me recordo qual foi.
Isto se passou há mais de 20 anos e eu era criança. Hoje, quem acha que o que está velho não funciona mais ou está morto, está "quadradamente" enganado, pois enganar-se "redondamente" fica para as pessoas de mente aberta e não para alguém cheio de preconceitos. Que eu saiba, o mundo é redondo. Uma pessoa de certa idade tem, sim, vida própria, e, sim, beija na boca, faz sexo. Provavelmente o que as pessoas mais velhas fazem é feito com muito mais prazer, pois quem já experimentou de tudo um pouco já não tem mais aquela angústia psicológica, aquela preocupação com o que os outros vão falar.
Para muitos filhos, é mais cômodo pensar que seus pais, por já estarem com certa idade, não fazem mais nada na cama além de colocar a cabeça no travesseiro e roncarem cândida e sonoramente. O chato é que alguns só vão saber a verdade quando estiverem com a mesma idade – pelo menos é esta a minha torcida: para que eles descubram que exageraram ao acreditar que o "papai", já tão velhinho, não vai ter coragem de "fazer mal" à "mamãe", coitadinha, também já tão velhinha; ou que eles não conhecem outra posição além da tradicional "papai-mamãe" (ou "vovô-vovó", como queiram). Como se sexo fosse sinônimo de sofrimento! Quem não conhece casais que dormem em camas separadas, mas que nem por isso deixam de "sofrer", de vez em quando?
Eu, de minha parte, já deixei bem avisado que, quando estiver velhinha, encurvada, os cabelos fofos de algodão, vou querer caducar bastante em cima de uma cama, mesmo que eu só esteja conseguindo mexer os olhos. Quero sofrer bastante na minha velhice e ai de quem tentar me impedir ou reprimir. O que importa, para mim, é que ter um coração (ao contrário do corpo, que insiste em virar pó antes do tempo) que não envelhece e que está prontíssimo para suportar as agruras de um latejar constante e eterno. Usando o poeta que já virou clichê: enquanto durar, está bom demais!
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Shi's a Lady

Bicho esquisito
Mulher é masoquista, é fato. Basta dar de cara com aquele gatíssimo-barriga-de-tanquinho que já se empolga e começa a maquinar o que fazer só para tê-lo aos seus pés – no mínimo, em sua cama; quiçá, em sua vida, até que a morte os separe, amém. Tudo começa com uma divisão mental dos itens a serem trabalhados, antes do encontro ideal.
No item 1 (extremidades), ela começa fazendo unhas dos pés e das mãos, mas só depois que um viscoso creme ser jogado sem dó nem piedade em seu rosto – para hidratar, alerta a manicure-cabelereireira-esteticista-e-amiga-de-infância. Por causa da pressa, a manicure arranca-lhe alguns bifes aqui, outras peças de picanha acolá, rumo a um resultado perfeito: todos os dedos latejam – mas as unhas, perfeitas!
Quando passa para o item 2 (poda), ela deixa que lhe depilem buço, axilas e a região púbica, transformando uma belíssima barba cubana em um bigodinho nazista. Se o telefone toca, ela não atende, com certeza é engano. Enquanto isso se deixa literalmente ter arrancados os pelos inconvenientes do corpo, como se disso dependesse o sucesso do encontro. Hoje em dia é assim mesmo: os homens querem porque querem saciar seus mais recônditos instintos pedófilos (é só eu que acho que uma púbis depilada lembra a de uma criança?) e a mulher quer porque quer ajudá-los nisso. Instinto maternal, provavelmente.
A mulher masoquista (leia-se mulher moderna) perde um tempo enorme cuidando dos cabelos, dando as fundamentais 100 e não-sei-quantas escovadelas para que ele brilhe e, por conseguinte, ela brilhe também. Este é o item 3 de sua lista de tarefas que a levarão ao tão sonhado altar. Cabelos sempre brilhantes e sedosos já é um lema entre as mulheres, não importa idade, sexo, religião ou nível de escolaridade.
Quando passa para o item 4 de sua lista (camuflagem), a mulher moderna, mas ainda casadoira, se arma de delineador, base, blush, corretivo, batom, lápis para olho, lápis para os lábios, gloss, aplicador de cílios, rímel, cílios postiços, iluminador, sombra em vários tons. Joga tudo no rosto da melhor forma possível, põe-se diante do espelho, olha, vira, ensaia um caminhar sensual e fica feliz. Ela resolve que nem o desconforto causado pela depilação anal a que foi submetida (nunca se sabe, nunca se sabe...) é capaz de lhe tirar o frio na barriga que a emoção de um encontro a dois pode trazer.
No fim das contas, o que toda mulher quer é agradar ao homem que lhe agrada e para isso não mede esforços, chega ao mais impensável dos cúmulos. Lembro que li em algum lugar Freud dizendo que o ser humano é culturalmente educado para se colocar em posição de sacrifício. Respeito muito (mentira minha!) Freud e suas teorias, mas acho que ele, quando pensou sobre isso, deu nó no cérebro tentando lembrar dos sacrifícios que o homem, o macho, se propõe a fazer por uma mulher, especialmente se o objetivo é casamento. Masoquista por opção, só conheço mulher mesmo.
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Shi's a lady

Se a canoa não virar, olê, olê, olá!
Contaminada pelo vírus da rebeldia de Mr. Jens, eu decidi fugir do usual palimpnóico – o que implica em dizer que estive às vésperas de ser excomungada pela nossa editora - pois ao pensar em Carnaval, imediata e conscientemente, minha mente também foge do comum e corre longe da folia. Na verdade, politicamente corretíssima que sou, nesta época eu penso mesmo é nas conseqüências da festa, que nem sempre termina como a gente imaginava. Carnaval é tempo de tanta coisa, só depende do usuário: alegria, descanso, sexo – porém, responsabilidade é bom e alimenta o espírito!
São três dias, portanto fazer amor cabe como uma luva, inclusive para os mais, digamos, "tranqüilos". Eu já vi alguns médicos afirmando que o exercício necessário para a atividade sexual não é maior que o de subir quatro lances de escadas em um ritmo lento. Se alguém consegue fazer isso sem sentir palpitações ou qualquer outro sintoma que leve a um ataque cardíaco, também poderá fazer sexo sem problema algum!
Porém, no caso específico daqueles que costumam cansar no primeiro degrau de uma escada só posso sugerir o uso do elevador. Mas para as mulheres, um conselho básico: se você mora no quarto andar de um edifício, jamais sequer insinue sexo com seu parceiro se ele estiver à frente da TV observando aquela passista mais desinibida: não é difícil que ele saia correndo, desça e depois suba os quatro lances da escada e acredite piamente que você está satisfeitíssima! E você ainda corre sério risco dele reclamar porque a escada queria carinho e conversa depois do que, para ele, foi a conjunção carnal perfeita! Enfim.
Mas, para quem não tem companhia para um bom embate no altar de Vênus ou para quem simplesmente gosta mesmo do furdunço carnavalesco, deixo aqui alguns conselhos super práticos:
Primeiro de tudo, o óbvio: nunca, JAMAIS!, ingira bebida alcoólica e depois pense em dirigir, a menos que seu instinto suicida fale mais alto ou que você queria beijar muito aquele poste sexy que está ali em frente.
Não tenho a menor idéia de como fazer isso, mas evite o contato com grupos ou pessoas suspeitas ou desconhecidas – é perigoso, inclusive se você tentar beijar na boca alguém que já olhou feio para você desde sua chegada ao local.
Onde surgir alguma confusãozinha, tire da mochila sua melhor cara de tonto e não protagonize discussões infrutíferas – não tem como saber se aquele bonitão ou aquela gostosa ali possui uma arma que não hesitará em descarregar em você, apenas pelo fato de os santos não terem batido.
Se você insistir em beber, mas tiver problemas com sua bexiga, leve com você um penico – mas de plástico, pois vidro corta, é perigoso!
Não mantenha contato sexual com desconhecidos (a não ser que eles morem no quarto andar). De qualquer maneira, leve sempre preservativos, para evitar que um lamento hoje gere uma série de lamentos posteriores – inclusive os que costumam surgir no mês de novembro.
E tenha um carnaval fenomenal!
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Shi's a Lady

Na minha modesta opinião, deveria ser PROIBIDA a vinda de artistas hollywoodianos ao Brasil, seja lá pelo motivo que for! A gente já tem que aguentar os tablóides anunciando o interessantíssimo evento da Carolina Dieckman fazendo uma compra no valor de 10 reais em uma feira e pagando a dita com cartão de crédito; a "pegação" de calcinha das comportadíssimas rainhas de baterias e mulheres bunda de fruta, fora os surfs dos bonitões malhadões, indianos caminhantes e negociantes da china. Mas aí ainda ter que aturar a família Cruise, não – NÃO DÁ!
Hoje, em qualquer site de notícias pode-se ver com detalhes sórdidos o casal e sua filha Suri (isso é nome que se ponha em uma criança???) caminhando pelo calçadão de Copacabana, curtindo uma piscina, penteando os cabelos, tirando meleca do nariz (pelo menos foi só a menina – Deus é Pai!!!), comendo em 3 (eu disse TRÊS!!) restaurantes em menos de 3 (eu disse TRÊS de novo!!) horas. Haja estômago pra aguentar tanta baboseira!!! Agora perguntem se eu consigo lembrar o nome do filme que o Tom está divulgando? Já respondo: não faço idéia!
Iconoclasta ferrenha, acabei descobrindo que também sou masoquista: abro a página da Globo.com e vou abrindo as abas com as "novidades" que os globais nos trazem, seja em comida, vestes, dietas, comportamento, namoros e outras coisinhas super, hiper, MEGA importantes para o nosso cotidiano. E nessa, acabo ficando sem tempo para o resto das coisas triviais, como a quantidade de gente que morre nas guerras, se o negão mais poderoso (por conseguinte o mais gostoso) do mundo está dando conta das expectativas que puseram em suas costas, se a Amazônia está sendo diluída, etc e tal. Sou uma iconoclasta alienada!
Tudo "culpa" dos diários eletrônicos (ah, vá, os de papel também!) que noticiam tanta bobajada, tanta inutilidade e assim vão criando idéias equivocadas nas cabecinhas mais influenciáveis e iludíveis. No fundo, no fundo, é apenas gente que ganha mais dinheiro do que a gente, sem trabalhar tanto quanto a gente e por isso, por terem essa história de, digamos, "sucesso", acabam virando ídolos.
No fim das contas, todo ídolo tem, no mínimo, os pés de barro, basta jogar água que ele começa a derreter. Tudo bem que algo fica e tudo bem que o que fica é bem mais do que a lama que surge, mas, ainda assim, lama é lama e todo ser humano tem, mesmo, uma vocaçãozinha para bodó*.

* Peixe de aparência estranha, meio pré-histórica, que chafurda na lama no fundo dos rios da Amazônia.
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Shi's a Lady

De pedras e escadas

Sempre que alguém cita Drummond e sua célebre frase: "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional", eu paro para analisar o que exatamente isso significa. E quando eu digo sempre, é sempre mesmo: eu nunca lembro quais foram as minhas conclusões anteriores sobre a frase. É um hábito meu, mesmo com frases com mensagens aparentemente óbvias, como é o caso.
Existe uma dor absoluta? Não, claro, ela sempre está relacionada a algum distúrbio, seja ele físico ou mental. Ela é evitável? Nada que um analgésico não resolva - isto é sabido e certificado. É possível viver com ela? Sim: viver e conviver! Seria isto o sofrimento? Sendo assim, concluo que nem sempre a dor é inevitável, mas o sofrimento é, sim, sempre uma opção de quem sente dor.
Eu convivo com a dor já há algum tempo e não gosto, em absoluto, disso. Mas não tenho como me livrar da dor constante, trucidante, não tenho como evitá-la – é algo que já faz parte da minha vida e eu já me habituei a conviver com ela. De tal forma a coisa se estabeleceu que eu já consigo até olhar minha dor como uma amiga, um refúgio no qual posso me apoiar em diversas ocasiões: quando não quero ir para aquela festinha que tem tudo pra ser uma chatice, por exemplo. Digo logo que está doendo meu pescoço (dependendo da minha intuição eu digo que está doendo TUDO), aí com certeza vou enfrentar menos insistência dos queridos que me convidaram para o tal evento. Prático e eficiente, ainda que não seja indolor.
A dor é uma necessidade; é ela a encarregada de mostrar que algo está errado em nosso organismo, em nossa vida. Se não nos resignarmos a aceitá-la assim, corremos sério risco de deixar de ver o que acontece a um palmo do nosso nariz. E incluo a dor emocional que, na minha opinião, também é uma dor física. O que dizer daquele aperto que dá no meio do peito quando se perdeu um parente, um amigo, um amor? É muito pior, por exemplo, que pisar sem querer em um grão de milho no chão. É dilacerante.
Concluindo: qualquer dor, seja ela física, mental ou espiritual, precisa ser bastante elaborada pelo indivíduo. Dizem que o amor cura tudo; nesse caso, o amor a si mesmo é a solução. A dor é sinal de algo que é perdido, então é fundamental admitir o luto e tratá-lo para então seguir com a vida, por mais dolorida que ela seja. Que eu saiba, uma ostra que nunca foi ferida jamais irá produzir uma pérola.
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Shi's a Lady

Moeda de 9 reais

Dia desses alguém chegou comigo se queixando do comportamento altamente singular de uma conhecida: de uma vez só ela é fofoqueira, faladeira, intrigante, invejosa e falsa. Ou seja: uma pentelha encravada. Mas acho que a pior atitude que ela toma é pisar, humilhar e fazer pouco das pessoas e de um indivíduo em especial: não vou dizer quem, CLARO! Mas ela só faz isso até o exato momento em que o bolso desse dito cidadão fica recheado de notinhas verdes (meu Deus, qual é mesmo a cor do real??? Faz tanto tempo que não olho pra um que até esqueci...), nesse momento ela vira um doce, amante fervorosa, dedicada etc e tal.
Eu não sei que nome vocês dão a isso, mas eu chamo assim, na cara dura, de hipocrisia. Mas o chato, nessas situações, é que a gente acaba adotando a hipocrisia como meio para um louvável fim: a paz mundial. No mínimo, a paz entre os próximos. Os únicos que não ficam nessa santa paz, quando da adoção de atitudes hipócritas, são você e você mesmo. A não ser, é claro, que você seja um impostor inveterado, daqueles que gostam realmente da coisa como ela é, a ponto de chegarem ao ponto de sequer saber quem são, na realidade.
Visualize: você está frente a frente com uma criatura que está te contando toda a vida pregressa e imoral daquele marido da manicure que já nem mais manicura porque cansou de apanhar e aí se mandou pra Timbuctu (toda mulher acossada pelo marido foge pra lá) mas já voltou e estão juntos de novo e bla, bla bla. Você ouve porque não é surdo (apesar de até achar que seria bom sê-lo, nessas circunstâncias), mas entre um veneno e outro você liga o pc, lê seus scraps no orkut, bate papo com os amigos no msn, joga paciência, responde "sim" ou "não" quando é solicitado (correndo sério risco de dizer sim quando a resposta correta seria o mais puro silêncio), e assim o tempo vai passando e você, pra não "perder a amizade" (alguma coisa de bom essa criatura tem a oferecer, não é possível!!), converte-se no mais descarado, falso, simulado – hipócrita. O melhor de tudo é reservado para o fim do papo, quando você ainda recebe um convite pra ir à missa das 18!!!
Eu tenho certo receio de ser chamada de falsa, de hipócrita. Contudo, é certo que a vida, às vezes, nos põe em situações nas quais é melhor rebolar do que andar duro. Alguém já disse: em terra de cego, quem tem olho é rei. Também teve aquele que disse: em público oferece água, escondido bebe seu vinho. Ah, e teve São Francisco, que disse: Eu sou capaz de cometer qualquer um dos pecados conhecidos. Ora pois, se São Francisco, um santo, se considerava capaz inclusive das maiores atrocidades, porque não podemos nós, pobres mortais, ferir com o ferro ardente que nos queima e ainda cutuca a ferida?
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Texto Coletivo

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Férias, s’il vous plaît!


Eram seis fragmentos de colunistas tentando se juntar em meio ao redemoinho e um quebra-cabeça ficando difícil de ser montado. Final de ano – tempinho que urge, em que as horas caminham do mesmo jeitinho, mas cada uma parece nos aproximar mais e mais do fim dos dias. O mesmo tempo que é sempre insuficiente para acabar com o cansaço ou para dar conta de fechar o balanço anual.
Resolveram então dar férias ao Palimpnóia. Nossos leitores não merecem pedaços tão desencontrados de nós – disse a sensibilidade feminina. Reunidos, num esforço coletivo dos neurônios, tentariam fechar o ano do jeito esperançoso e simpático, comum a todos os seres humanos sempre que se vêem às portas de um novo tempo. Uma das vozes sensíveis, propôs:
- Gente, vamos escrever uma carta a Papai Noel? É lugar comum, mas querem coisa mais deliciosa do que voltar a acreditar com força no bom velhinho?
A conversa se generalizou e os desejos surgiram, aos borbotões. Os seis, olhos antes cansados e quase sem brilho, voaram pelas montanhas geladas do europeu Feliz Natal e pairaram esperançosos nas portas do Ano Novo. E o texto de fim de ano do Palimpnóia foi sendo tecido.
Euza, sempre metidona a líder de qualquer coisa, tentou organizar a tempestade cerebral, mas foi interrompida por Jens.
- É a minha vez. Sou eu! - exigiu o bravo e combativo jornalista.
- Então começa, bagual dos pampas!
- Na vida real, aprendi: que me importa a mula manca, se quero a tal de felicidade?
E a conversa correria solta sobre cunhados, cachorros e as belas mulheres da vida não fosse a coxuda da editora dar um basta nas linhas do jornalista e com voz racional pronunciar:
- Afinal o que você deseja, Gaúcho?
- Quero dinheiro e mulher. Ou vice-versa.
"O Jens não vale nada", pensou consigo a deusa Loba. Mas foi a gostosinha da Aline quem fechou seu espaço, dizendo:
- Espera, agora é a minha vez de falar.
Todos se calaram, expectantes.
- Esse ano foi bom para mim. Então, vou pedir a favor do próximo. Quero que todos possam viver com dignidade, e nisso já vem o respeito e muitas coisitas mas embutidas. Sei que é um tanto quanto utópico, mas todos os desejos são meio assim, não? E basta esforço para que saiam desse campo para se realizarem. Ah! Vou fazer um pedido pra mim, sim! Quero paixão! Muito mais do que tive nesse ano! Preciso dessa sensação para levantar da cama todos os 365 dias do(s) ano(s). Sua vez, Zeca. O que desejas?
E assim, a gostosona da Aline passou a bola para o requintado Zeca. E o pobre Zeca que, de requintado não tem nada, coitado!, tremeu nos joelhos ao receber a bola passada pela gostosona da Aline.
- É que, nessa época de tudo a jato, os dias se sucedem e acabo ficando na mão, chupando o dedo, literalmente sem pegar ninguém. Então, caro Noel, faça esse favor pro Zequinha: traga-me um par de coxas sobre pernas bem delineadas que, apoiadas sobre pés delicados, deixe entrever fartas cadeiras (fartas na exata medida do desejo) sustentando um torso bem torneado, com belos relevos como mamões, ou melões (essa onda de mulher fruta!), ampliando um belo colo sobre o qual, elegante pescoço e uma linda cabeça ornada por bela cabeleira cuja cor, na verdade, não importa. Mas os lábios, ah! Os lábios! Precisam ser carnudos e vermelhos, prontos para a paixão revelada pelos olhos de ressaca ou de tesão desbragado.
A Shi, entrevendo uma tal Capitu no desejo do Zeca, tomou a palavra:
- Ah, tem que ter fidelidade: fidelidade ao próximo, ao que se acredita, a si mesmo. Mas não quero saber de paixão não, cansei. Prefiro o sexo, só ele e ele só! De qualquer maneira, o que eu preciso que o bom velhinho me conceda é saúde, pois tendo saúde eu vou ter trabalho, dinheiro e, claro, muito sexo!!!! Só espero que Papai Noel fale português... E tu, Queridácio, já fez a tão famosa "listinha" para o bom velhinho?
- Fi-lo Shi, eis aqui: Papai Noel, caro velhinho, para o Jens traga dez caixas de Viagra, seja mais uma vez bonzinho; ao voraz coração de Aline, triplique a paixão desmedida em pique; dê ao Zeca a mulher pedida, feita a bisturi sob medida; que Shi receba o seu exatamente nas dimensões da sua altura o que lhe couber; a mim, manter o conseguido até agora como fim, para entregar à Loba todos os louros merecidos e os morenos também.
Euza, a editora Loba, retomou a palavra pondo fim à viagem dos outros cinco. Preocupada com o tamanho do texto e com a pouca disponibilidade do leitor, declarou:
-Ah o meu desejo é simples! Quero que em 2009 tenhamos todos - nós, nossas famílias, amigos e leitores – um tanto mais de coragem. Porque tendo coragem, ousaremos mais, mudaremos mais, amaremos mais, seremos mais felizes!
E o texto que pretende ser a presença do seis até o dia 4 de janeiro finalmente ocupa o espaço de direito, terminando assim: Feliz Natal para todos e um grande 2009!!!


midi: what a wonderful world - louis armstrong


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Shi's a lady

Mais um ano se passou!!!!
Final de ano, época em que a gente começa com aquelas reflexões de praxe: o tempo passa, o tempo voa, a poupança cai (e estou falando da bunda também, claro), a gente fica à toa, tudo e nada acontece ao mesmo tempo. Esse ano, que foi muito bom pra mim, a minha reflexão vai para "o que poderia ter feito e não fiz". Ou seja: as leseiras-barés do ano.
Pra começar posso dizer que não estudei. Eu poderia muito bem ter começado uma faculdade particular, trabalhei o suficiente pra ter condições de pagar uma. Ah, eu não tenho mais idade, tempo ou paciência pra fazer cursinho só pra passar numa pública, convenhamos. Uma vez eu apenas liguei pra uma universidade aqui em Manaus querendo saber preços, essas coisas, e não demorou um mês eu soube que tinha sido aprovada no vestibular da referida. Fez valer a máxima: a mente faz coisas incríveis. Mas para falar a verdade, minha vontade de estudar é só mesmo pelo prazer de sair de casa e me divertir. Estudar pra "progredir na vida" já não está mais nos meus planos faz um bom tempo!
Outra coisa que eu deixei pra depois: pintar minha casa. Desde as férias do Chico (meu marido), de novembro de 2007, que a gente planeja pintar a casa inteira, nós mesmos, não pagar pra ninguém fazer isso. Mais uma vez só pelo prazer da diversão. Compramos tinta, pincéis, rolos, espátulas (não me pergunte pra quê, mas eu comprei), as férias acabaram e essas coisas ficaram ali, paradas, só esperando. Quando eu era criança todo ano a gente pintava nossa casinha de madeira , e era a família inteira quem pegava no pincel (no mau sentido, claro: o pincel de pintar!). Meu Deus, como era bom aquilo! Papai delegava os cômodos a ser pintados, eu ficava sempre com os rodapés – até hoje não consigo entender essa lógica de papai. Enfim, ele devia saber o que estava fazendo, né? E a casa continua aqui, ainda por pintar. Mas em 2009 sai essa pintura (duvido!)
Ah, sim: eu não consegui arrumar meu escritoriozinho. Mais especificamente uma estante pequena que fica logo atrás da minha cadeira. É um bocado de papel velho e sem utilidade que tem ali cuidadosamente empilhado de forma meticulosamente desordenada, que eu nem sei se ainda tem jeito. Tem ocasiões, pela manhã, que entro no escritório, que olho pra ela (a estante), penso, desperdiço alguns bons minutos de minha vida conjecturando sobre a necessidade de arrumar aquela zorra. Mas, assim como a pintura da casa, a papelada continua lá, intacta. Eu inclusive já sonhei com isso: um dia eu sentava à frente do pc, de repente sentia caindo em cima das minhas costas e minha coluna finalmente ficava curada. Mas prefiro que meu sonho não se realize: é MUITO papel, duvido que minha coluna fraca suporte...
Por fim, mas não menos importante: não comprei uma agenda decente. É assim: ou eu não anoto nada, guardo tudo na cabeça (guardar é modo de dizer, já que minha memória nunca foi boa, e a tendência é piorar), ou então anoto em papeizinhos que vou jogando em cima da minha mesa; eu também tenho o saudável costume de anotar números de telefone em uma folha limpa de papel ofício. Como aqui no meu escritório é onde eu também exerço minhas práticas artesanais e ando, ultimamente, envolta com canudos de papel, fica fácil imaginar onde esses papéis vão parar antes que tudo seja inserido em uma agenda, né? Isso se eu tivesse uma agenda, não esqueçamos! O mais interessante é que eu nunca esqueci de fazer um trabalho sequer, no máximo fiquei sem poder falar com o dono do trabalho, cujo número de telefone deve estar no último canudo que enrolei.
Pensando aqui com os meus 269 botões, meu 2008 foi mais do que bom, foi excelente – especialmente porque foi um ano cheio de leseiras-barés. Mas é muita coisa mesmo, então é melhor parar por aqui, senão os outros palimpnóicos não vão mais conseguir postar até 2010.
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Shi's a lady

Under pressure

Minha avó morreu de depressão: quando seu filho mais novo resolveu sair de Manaus e ir morar em outro estado, ela pirou de vez e começou um processo de definhamento que só acabou com sua partida dessa pra uma melhor (???). Não teve geriatra, psicólogo, nada deu jeito, ela perdeu o gosto pela vida e dela se desfez.
Tava visivelmente cansada, a D. Maria, mas ainda acho que não era motivo pra tanto...
Um parente meu, que é pastor evangélico, foi nomeado presidente de toda a congregação nacional dos Batistas da região norte: não passou nem meio ano no cargo, caiu num estado de torpor tão grande, sem ninguém saber exatamente o porquê.
Como diria o Chicó (ou era o outro?): não sei, só sei que foi assim.
Um parente meu, que é psicólogo, outro dia esteve em Manaus e eu quase nem reconheci o homem, tão magro ele está e deprimido. A empresa tá quase falindo, por conta da confiança que ele depositou em um energúmeno que se diz servente de Deus.
Pode estar aí a explicação pra depressão do pastor, quem sabe?
Os ditos estudantes da psiquê humana dizem que a depressão é um mal que afeta o organismo como um todo, e que não é possível curá-la com “pensamentos positivos” É verdade, o pensamento negativo deve ajudar bastante, dã! Tá, tudo bem, não pode ser curada SÓ com pensamentos positivos, aí eu entendo. O fato é que a depressão taí, matando gente e – coisa horrível! – deprimindo as pessoas. Agora eu, que vivo de pensamentos positivos sobre tudo e todos (e eu minto também), já sei que nunca vou ficar deprimida nessa vida!
A não ser, é claro...
...quando subo na balança e vejo que não apenas não perdi meus eternos e teimosos 2 quilos a mais, como ainda ganhei mais 2 pra fazer companhia aos outros 2. Espero que esses não fiquem alegrinhos demais e chamem o resto da turma. Mas nem é motivo assim pruma depressão, né? Até porque é tão facinho perder quilinhos – ainda mais na minha tão tenra idade...
Ai, também tem aquela ruguinha mais acentuada que vi na junção das sobrancelhas. De onde que veio aquilo, pelamordedeus?? Sabe a casa quando racha a alvenaria? Poisé. Agora eu morro de medo de me olhar no espelho e ver meu rosto se partindo em dois.
Isso me põe a terríveis 1.507,951 quilômetros perto de uma depressão daquelas!!!
Ahhhhhhhhhhhhh, também tem a questão "marido". Deus do céu, quando é que essa raça vai aprender que lugar de toalha molhada não é em cima da cama (queixa clássica!), que creme dental a gente aperta lá do finzinho e não no meio (outra classicona), que a posição do porta-canetas não é de cabeça pra baixo com tudo que tinha dentro revirado em cima da mesa, que ele não vai encontrar cueca na gaveta de calcinhas, muito menos açúcar no saleiro??? Meu Deeeeeeeeeeeus, por que esses homens são assim, tão... homens???
A sorte (de quem?) é que o sexo é im-pe-cá-vel!
De menstruação eu não posso me queixar, nunca tive essas coisas de TPM, sempre fui assim, foufa e linda os 30 dias do mês. e agora é que não tenho mais mesmo, já que entrei definitivamente na menopausa. Faz um bom tempo que eu não sei o que é comprar absorvente, o que já é um bom motivo pra me afastar ainda mais da quase depressão oriunda dos parágrafos acima.
Acho linda essa palavra - oriunda - ela rima com bunda!!
Dizem, então, que a depressão tem cura, seja pela psico-não-sei-o-quê, seja pela intervenção divina (mas e o pastor, como fica??), seja ainda pela eliminação do gene que dizem existir dentro de nós, pela yoga, pela eletrocussão dos motivos que a causaram (mas e se tiver sido, por exemplo, uma mulher? Tem que ligar a moça no 220V?), pelo jejum, pelo exorcismo, enfim, são diversas as curas para o ser que sofre. Não esperem que eu diga qual delas é a mais eficiente, porque eu não sei MESMO. Talvez a cura seja a poesia, como essa que achei recentemente, enquanto buscava material pra esse texto:
"Que coisa triste é a depressão
Um sentimento socado dentro do peito
Horrível sentir esta sensação
Mas nós pra isso já temos um jeito
Quando sentir uma dor forte, que desgraça!
Já temos a cura: peida que passa!
" (www.poetasdocagao.blogspot.com)

Enfim!
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Shi's a lady

Um canto de revolta pelos ares

Uma situação que, durante algum tempo, me intrigou foi o fato de os negros terem permitido por tanto tempo a violência contra os membros da sua população. E não vou usar aqui o termo “raça”, porque raça, pra mim, é a humana, é todo mundo junto no mesmo caldeirão fervente do inferno terrestre. Nem sei se “população” seria o termo mais apropriado, mas foi o que mais rápido me veio à cabeça. Mas voltando ao tema, porque esse povo, tão forte, se deixou escravizar? Hoje eu sei que ele não se deixou: o negro foi escravizado à força, à custa de muita morte, muito sangue, violência, tortura. E dizer que o negro só foi escravizado porque o índio “não deu pra coisa”, é violar ao mesmo tempo duas populações: quem pode se dar o direito de julgar quem serve pra ser escravo ou não?
- Oras, se o índio “não deu pra coisa”, porque não pegaram os wikings, aqueles lorões nórdicos?
O lance, na minha humilde opinião, é, sim, a cor. O preto. Inveja do preto. Porque os negros são visivelmente superiores aos brancos em várias coisas: um vozeirão que - meu Deus! – arrepia os cabelos dos pontos mais desérticos, uma arcada dentária considerável, um talento pra qualquer coisa, um balanço delicioso nas cadeiras.
- Deve ter mais alguma coisa, mas no momento me foge à memória...
Mas até hoje (e de forma quase sempre pouco sutil) o branco teima em associar a cor preta a sujeira, ou à tal “ausência de luz”. Claude Monet provavelmente passava direto por um negro – isso se o visse! O estereótipo é preto feio, velho, pobre, surdo e que mora longe (nada contra o Fausto Wolff, só peguei o título dele, ok?). E bandido. Mas bandido daqueles furrecas, que ninguém em outra parte que não seja o Brasil conhece. Bandido memorável também é bandido branco: o médico britânico (e branco) Harold Shipman matou pelo menos 215 de seus pacientes; O monstro (branco) e colombiano Luis Alfredo Garavito, "o monstro de Gênova", foi considerado culpado por 189 assassinatos; no Equador, Pedro López Monsalve é culpado pelo assassinato e estupro de 60 crianças e é suspeito de 300 assassinatos - e é branco; Nos EUA, Jeffrey Dahmer, um branquelo seboso apelidado "o carniceiro de Milwaukee", cometeu 17 assassinatos entre 1978 e 1991 e reconheceu ter comido a carne de três vítimas; Adolf Hitler, o maior impotente que a história já produziu, mandava matar os negros – mas também matava judeus (que são brancos!!). Ah, sim: aqui no Brasil temos o descorado e descarado casal Nardoni (preciso lembrar quem são? Não, né?) e a leitosinha Suzanne Richthofen, que ajudou o namorado a matar o pai e a mãe a pauladas, e poraí vai.
- Talvez os criminosos negros não sejam celebridades porque não têm o coração e a mentes ruins o suficiente pra fazer as barbaridades de que os brancos são capazes.
Isso aqui pode até parecer um mea culpa, mas nem se enganem, não é: eu nunca falo em nome da Humanidade, ela que se vire sozinha. A verdade é que o mundo seria melhor se fosse negro. Total, sem uma manchinha branca sequer. Ou melhor, só uma: eu!

midi: canto das três raças - clara nunes

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